Resposta: O cabelo pode perder seu aspecto saudável por diversos motivos. Para simplificarmos, vamos nos limitar a dois grupos: causas internas, tais como alterações nutricionais, manifestações genéticas, irregularidades hormonais e inflamações no couro cabeludo ou causas externas, que têm como agentes influenciadores a poluição, exposição excessiva ao sol ou mesmo a fumaça dos cigarros, que são de caráter cumulativo.
O cabelo que vemos e tocamos é basicamente um fio constituído pela proteína queratina, formado por camadas lamelares (escamas) superpostas e com cortex (canal) central. A parte viva encontra-se dentro do couro cabeludo. A parte externa, a haste capilar, é o que chamamos normalmente de cabelo. Ele pode sofrer agressões no dia-a-dia, como o sol, a água do mar, a química das piscinas, vento, poluição, ar-condicionado e variações de umidade no ar.
Mas as maiores agressões são causadas por nós mesmos, ao pentearmos os cabelos, passar as mãos com resíduos nos fios, sejam cremes ou mesmo suor, além de tratamentos químicos, como colorações, relaxamentos, escovas dos mais variados tipos, dentre outros tratamentos. Não chega a ser surpresa que o cabelo sofra com isso tudo, e quanto mais comprido, com crescimento mais lento e mais fino, maior será o dano.
2- Quais os sinais da calvície?
Resposta: Para saber quais os principais indícios da perda capilar, temos que observar o grau de intensidade.
Grau I - O primeiro sinal é um afinamento do cabelo, em geral na parte anterior e superior da cabeça. No começo parece que a risca do penteado vai ficando mais alargada, até que se percebe a redução do volume e um crescimento lento do cabelo;
Grau II - Depois, uma rarefação acentuada, cria-se uma espécie de transparência, permitindo que se veja o couro cabeludo através do cabelo;
Grau III - Os fios ficam finíssimos, frágeis, quebradiços e mais claros. Nesse estágio, a calvície já está instalada. A linha de cabelo rente à testa é geralmente poupada, assim como o cabelo da região posterior, acima da nuca, por serem menos suscetíveis à ação hormonal. Na linha anterior, a enzima aromatase ajuda a proteger o cabelo da ação hormonal.
3 – Quais os motivos que influenciam no surgimento da alopecia androgenética em mulheres jovens?
Resposta: Temos fatores diretos como influencia hormonal e a genética e outros fatores que podem ajudar a agravar, como inflamações no couro cabeludo e dietas com baixa proteína.
4 - Pessoas de determinadas raças estão mais propensas a isso?
Resposta: A calvície pode atingir qualquer indivíduo, independente de sua etnia. Mas, as pessoas de origem caucasiana e árabe são mais afetadas, enquanto as orientais são geralmente menos atingidas. Não sabemos o motivo. Isso é apenas observado. É o que chamamos de dado epidemiológico. Porém, pode estar relacionado à sensibilidade ao hormônio masculino: povos mediterrâneos têm mais pelos e orientais menos pelos.
5 - Existe um consenso que as pessoas perdem cerca de 100 fios de cabelos por dia. Isso é mito ou é verdade?
Resposta: Esse numero é normal, desde que haja reposição dos fios. Temos fase que caem mais e outras que caem menos. Na calvície, além da queda ocorre um afinamento dos fios e atrofia e fibrose dos folículos.
6 - Certas práticas, como pentear ou escovar os fios muito molhados, aceleram a perda dos cabelos?
Resposta: O fio molhado pode ser mais fácil de desembaraçar, mas por outro lado já está com a elasticidade máxima, oferecendo maior facilidade de rompimento e extração da haste. Existem produtos que contém silicone que facilitam o penteado, diminuem o atrito da escova, além de proporcionar efeito antifrizz (arrepiado).
7 – Quais os tratamentos indicados na perda capilar feminina?
Resposta: Evitar a oleosidade e a dermatite seborreica ajuda. Existem variados tratamentos, como shampoos, loções, medicamentos de uso oral, *intradermoterapia ou mesoterapia capilar e tratamentos com feixes de luz vermelha e infra-vermelha – LED.
8 - O que a mulher deve fazer quando um tratamento químico, como a escova progressiva, provoca quebra da haste capilar e queda dos cabelos - chumaços de fios saem nas mãos?
Resposta: Uma vez danificado severamente, o cabelo pode partir ou ficar irreversivelmente poroso e sem brilho. Qualquer outra química agressiva, incluindo colorações pode agravar ainda mais o problema.
9- Quando o transplante folicular é indicado para a mulher?
Sempre que a transparência do cabelo for muito evidente e ela possuir uma boa densidade do cabelo localizado próximo à nuca.
11 - A alimentação pode ajudar a retardar a queda dos fios?
Resposta: O valor da alimentação adequada não pode ser subestimado. O controle de peso deve ser focado no exercício físico, e não somente pela restrição alimentar, fato comum entre muitas mulheres. A dieta adequada deve ser rica em proteínas e pobre em carboidratos. São indicadas carmes magras, principalmente peixes, que possuem ação antioxidante.
Para manter os cabelos saudáveis, pode-se fazer ainda suplementação com biotina (vitamina B). Os oligoelemen
tos, como zinco, cobre e selênio, ajudam na constituição adequada dos fios, daí a importância da ingestão de nozes, amêndoas ou castanha-do-pará, ricas nesses componentes, mas sem exageros, além de duas frutas secas por dia também completam a dieta equilibrada.
* Intradermoterapia ou mesoterapia: os dois termos querem dizer a mesma coisa: injetar um fármaco na derme, superficialmente, agindo assim localmente, diferente de uma injeção no subcutâneo (gordura ou músculo). A mesoterapia tem efeito local e prolongado, pela lenta absorção da derme. Deve ser realizada com uma agulha bem fina, em diversos pontos na região e injetando pouco volume por ponto. Essa técnica ainda é controversa e nem todos a utilizam.
Outros Fatores
Genética e fatores hormonais
Tanto um quanto o outro podem levar à alopecia androgenética, a calvície. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Restauração Capilar apontam que cerca de 25% das brasileiras entre 35 e 40 anos apresentam ou vão apresentar algum grau de calvície - os fios vão rareando na parte de cima da cabeça, na região da testa, e, dependendo do estágio, chega a dar para ver o couro cabeludo.
Para encerrar o caso - O especialista pode prescrever carboxiterapia, laser de baixa potência ou até mesmo transplante de unidades foliculares.
Procurados vivos ou mortos
Stress, anemia, alterações na tireoide, dieta pobre em proteína: eles estão por trás do eflúvio telógeno, que é a segunda maior causa de queda capilar. Os fios pulam da fase de crescimento para a de repouso, antecipando a queda.
Para encerrar o caso - Além de combater a causa, se o vilão for o stress, seguir uma alimentação balanceada e rica em ferro; se problema for o corte drástico de calorias e de proteína, são indicadas sessões de carboxiterapia, laser de baixa potência e tratamento clínico.
Alisamento ou clareamento
Se for bem feito e respeitar o intervalo dos retoques, o único prejuízo é o ressecamento. Porém, como o alisamento rompe as pontes de hidrogênio e de cisteína do fio para mudar a textura dele, qualquer imprudência pode deixá-lo quebradiço. "Com o descolorante, a diferença é que ele torna a fibra capilar ressecada e, por isso, menos resistente à tração", diz a dermatologista Maria Fernanda Gavazzoni, do Rio de Janeiro.
Para encerrar o caso - O dermatologista Ademir Júnior, de São Paulo, recomenda fazer o teste de mecha (aplicar o produto em uma mecha próxima da nuca e ver como o cabelo vai reagir) toda vez que for realizar um procedimento químico. "Outro cuidado a ser tomado é o de não misturar ativos alisantes incompatíveis, como o tioglicolato de amônia e a guanidina", diz o médico.
Cabeça a prêmio
Penteados
Tranças coladas no couro cabeludo, dreads e rabos de cavalo apertados tracionam e traumatizam a fibra capilar, segundo Maria Fernanda.
Para encerrar o caso - Maneire no estica e puxa, não dê tantas voltas no elástico e aumente os intervalos entre os penteados.
Ladrões pés de chinelo
Doença autoimune
Estamos falando da alopecia areata, aquela que faz o cabelo cair de repente, deixando pelada uma área do tamanho de uma moeda de 1 real. Ela ocorre porque o organismo desenvolve anticorpos contra o bulbo capilar, que deixa de produzir fios. As vítimas preferenciais têm entre 15 e 29 anos.
Para encerrar o caso - Apele para a carboxiterapia ou para a infiltração com corticoide.
Secador
A história de que ele arrebenta o fio tem a ver, na verdade, com a força empregada durante a escovação. "Pode reparar que as áreas mais prejudicadas são as da parte de trás da cabeça, aquelas que fazem a gente levantar o queixo", diz a dermatologista e cirurgiã capilar Leila Bloch, de São Paulo. O contorno do rosto também se dá mal, já que a gente sempre dá uma caprichada maior para não entregar as verdadeiras raízes. Tem ainda o calor, que pode causar a queda ao queimar o couro cabeludo ou estimular a oleosidade e levar ao aparecimento da caspa.
Para encerrar o caso - Maneire nos puxões, aplique protetor térmico nos fios antes de iniciar a escova, posicione o secador a pelo menos um palmo de distância da cabeça e, sempre que possível, deixe os fios secarem naturalmente.
Gripe, febre alta e infecções
"Não é regra, mas o trio pode levar à queda capilar por até três meses, mesmo que você já esteja curada", afirma a dermatologista Leila Bloch. Tudo porque o organismo vai concentrar as energias em combater esses males e, com isso, deixar o cabelo em último plano.
Para encerrar o caso - Reforce o sistema imunológico consumindo alimentos ricos em vitamina C.
Tropa de elite
Seus aliados na guerra contra a queda capilar:
Carboxiterapia
Trata-se de uma injeção de gás anidro carbônico (CO2) nas áreas que estão perdendo cabelo. "O objetivo é fazer com que elas reajam a essa agressão produzindo mais oxigênio", explica o dermatologista Ademir Júnior. "Com isso, a circulação local melhora e mais nutrientes chegam à raiz." Em média, são necessárias dez sessões.
Investimento - A partir de R$ 120* por sessão.
Infiltração com corticoide
O medicamento é injetado nos pontos problemáticos com uma agulha para estimular a circulação e combater a inflamação. Uma ou duas aplicações costumam ser suficientes.
Investimento - A partir de R$ 100*.
Laser de baixa potência
O aparelho libera um tipo de energia que faz com que os fios permaneçam por mais tempo na fase de crescimento. O tratamento dura dez sessões semanais.
Investimento - A partir de R$ 120* por sessão.
Tratamento clínico
Envolve laser de baixa potência, loção com minoxidil a 5% e cápsulas de vitaminas, tudo para que os novos fios venham fortes. O laser precisa ser feito uma vez por semana. Já a loção deve ser aplicada duas vezes ao dia e as vitaminas, tomadas até três por dia. No geral, essa rotina tem de ser repetida por pelo menos três meses.
Investimento - A partir de R$ 500*.
Transplante de unidades foliculares
A cirurgia, realizada no hospital, só é indicada para casos graves. Com a paciente sedada e anestesiada, o médico retira uma faixa do couro cabeludo da região da nuca e separa tufos contendo de um a quatro fios. Depois, eles são implantados nas áreas onde há falhas. A técnica exige que a pessoa dê um tempo de secador, chapinha, coloração, academia e tesoura por 30 dias.
Investimento - A partir de R$ 10 mil*.
Quando o culpado não é o mordomo
Conheça outros fatores que podem levar à queda capilar - e de que a gente nem desconfia:
Dieta pobre em carne vermelha: na falta do alimento, há o risco de você absorver menos ferro, o que compromete a chegada de oxigênio ao bulbo capilar. Aí, o fio nasce fraquinho, fraquinho.
Excesso de gordura, açúcar, cafeína e álcool: ao aumentar a chance de ter caspa e produzir mais radicais livres, o quarteto acelera o envelhecimento do cabelo, deixando-o quebradiço.
Redução calórica: os fios são tão sensíveis que um corte de 100 calorias, o que equivale a um copo de suco de laranja ou uma barra de cereais com chocolate, pode acentuar a queda.